Lean Startup – Introdução (Parte 1 de 2)

Neste post em duas partes vou tentar explicar resumidamente o que é Lean Startup, suas origens, principais conceitos e ferramentas.

O método Lean Startup foi elaborado por Eric Ries e traduzido em seu livro de mesmo nome, publicado em 2011 (“A Startup Enxuta”, no Brasil). Apesar de alguns avanços e ideias muito interessantes, Eric na verdade apenas compilou grande parte de seu conhecimento sobre administração e desenvolvimento ágil de software, junto com sua experiência como empreendedor. A ideia surgiu de seu blog “Startup Lessons Learned” (http://www.startuplessonslearned.com/), que ele já vinha escrevendo desde 2008 e onde ele cunhou originalmente o termo Lean Startup, em setembro do mesmo ano.

Entretanto, antes de falarmos do método propriamente dito, é importante entendermos a definição de Eric Ries para uma startup:

“Uma Startup é uma instituição humana projetada para criar um novo produto ou serviço sob condições de extrema incerteza.”

Esse entendimento é importante para termos em mente que estamos falando de um tipo específico de startup, aquela onde o modelo de negócio é completamente novo, portanto incerto. Assim, estamos descartando o conceito de que uma startup é qualquer empresa eu seu estágio inicial. Não, quando falamos de Lean Startup, estamos falando de “condições de extrema incerteza”. Ou seja, abrir um restaurante ou um hotel não é criar uma startup (pelo menos para nós aqui).

Dito isso, podemos partir para os pilares que ajudaram Ries a consolidar o modelo:
  • Pensamento Lean: como o próprio nome diz, o método foi pensado para manter uma estrutura enxuta, evitar o desperdício e o foco em entrega de valor. Junto a isso, devemos nos concentrar em parar de desperdiçar o tempo das pessoas, deixando de fazer perguntas como “isso PODE ser construído?” e passando a perguntar “isso DEVE ser construído?”. Com a tecnologia disponível atualmente, praticamente tudo PODE ser construído, mas a questão é: qual o valor disso para a humanidade?
  • Desenvolvimento Ágil: o próprio Eric Ries foi desenvolvedor de software e entende os ganhos em se trabalhar com métodos ágeis de desenvolvimento. Não seria errado dizer que Lean Startup está para desenvolvimento de negócios assim como o Scrum está para desenvolvimento de software.
  • Experimento Científico: o método ajuda o empreendedor a evitar o erro de “ver no que vai dar” e aplica uma abordagem científica de aprendizado validado no desenvolvimento de negócios. Além do mais, “ver no que vai dar” nunca fracassará, pois você sempre vai conseguir “ver no que deu”, mesmo que isso seja sua falência.
Outro ponto importante, os princípios do Lean Startup:
  1. Empreendedores estão em todo lugar: começar uma startup não é exclusividade de profissionais autônomos. Você pode criar uma startup dentro de sua empresa, seja ela seu home-office ou uma multinacional. O princípio de que empreendedores estão em todo lugar guia o método para aproveitar a força criativa de qualquer pessoa que esteja ao seu redor.
  2. Empreendedorismo é gestão: eu já ouvi pessoas falando que abriram uma startup porque não gostam de trabalhar em empresas. Elas só esqueceram que se a startup delas der certo, elas vão trabalhar numa empresa! Este princípio assume que qualquer negócio precisa de gestão e que em algum momento você vai precisar parar o que mais gosta de fazer para cuidar do seu financeiro, administrativo e contabilidade. Não se iluda, nem tudo são flores!
  3. Aprendizado validado: como dito anteriormente, o Lean Startup utiliza uma abordagem científica para o desenvolvimento de negócios, e sua principal métrica é o aprendizado validado. Vamos falar dele na segunda parte do post!
  4. Construir-Medir-Aprender: representa o fluxo principal de atividades do método, pelas quais o empreendedor deverá passar antes de decidir se vai “pivotar” ou perseverar. Falamos que a expectativa de vida de uma startup é quantas vezes ela consegue rodar esse loop “Construir-Medir-Aprender”. Também voltamos nisso mais tarde.
  5. Contabilidade de Inovação: Como dissemos, a principal métrica do Lean Startup é o aprendizado validado, algo difícil de ser mensurado. Portanto, não faria muito sentido olharmos apenas para os números no momento de fazer nossa contabilidade. A Contabilidade de Inovação procura garantir que o produto/serviço da startup esteja evoluindo no mesmo sentido do que está sendo aprendido e evitar que os números sejam torturados até que se consiga qualquer coisa deles.
Na próxima semana volto com a segunda parte do post, onde explicarei o método em si! Fiquem ligados!​

Sobre o Autor

foto-redesLuciano Rodrigues tem 15 anos de experiência com internet, viu muita empresa pontocom nascer e chegou a explodir junto com uma delas. Durante 10 anos trabalhou com design e vários nomes relacionados a isso, como usabilidade, arquitetura de informação, interação, interface, acessbilidade, experiência do usuário…Neste meio tempo também aprendeu um pouco de programação e análise de sistemas. Nos últimos 5 anos vem liderando equipes de desenvolvimento de software, no começo com a tradicional abordagem do PMBoK e desde 2010 com métodos ágeis como Scrum e Kanban. Fora isso, tem uma inquietude nata em querer tornar as coisas mais simples e claras. Para conseguir puxar assunto com ele, fale de rock ou de cinema.

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