Os 256 Agile Coaches de Pierre Fauvel

ID-10082123Perambulando pela internet encontrei o blog do colega Pierre Fauvel (@pierre_fauvel) e um post super interessante sobre os tipos de Agile Coaches que existem por aí. Conversamos um pouco e fui autorizado a adaptar seu post para o português (Thank you so much, Pierre).

Pierre está envolvido num grande projeto de transformação ágil em uma empresa francesa, com vários coaches envolvidos, o que torna este ambiente bastante privilegiado em com bastante material para estudar o comportamento dos coaches. No post, Pierre traça traços dominantes quanto à postura. Tal identificação é fundamental para que se incentive os pontos fortes e se trabalhe os pontos fracos destes profissionais. Afinal, o coach também deve estar inserido em um processo particular de melhoria contínua.

Claro que a abordagem pode variar de acordo com o contexto, com o ambiente que está sendo trabalhado. Mas pode-se identificar combinações que chegam a 256 tipos de perfis diferentes de coaches.

Vamos dar uma olhada nestes perfis.

1. Prescritivo versus Contextualizado

a) O coach prescritivo é aquele que é focado na iniciativa de mudança na gestão, implantando a versão oficial que a companhia tem do movimento ágil, agindo, às vezes, de forma brutal e criando alguma resistência.

b) Pelo lado oposto, o coach pode basear sua estratégia de mudança ouvindo as pessoas e promovendo uma agilidade contextualizada, o que, de alguma forma, pode perder a legibilidade do esforço.

2. Terapeuta versus Sansei Lean

a) Alguns agile coaches colocam o foco na psicologia, nos estágios de formação de time de Bruce Tuckman, na harmonia e resolução de conflitos. As retrospectivas são longas e ricas, semelhantes à sessões de terapia familiar.

b) Já o Sansei Lean coloca a ênfase totalmente na melhoria dos processos, entrega rápida de valor e na melhoria das tarefas. Retrospectivas são curtas, focadas e, de certa forma, pobres.

3. Sério versus Brincalhão

a) Alguns coaches, especialmente os mais velhos, tem um jeito muito clássico de ensinar e não se sentem à vontade com jogos, temendo que sua mensagem não seria passada com a devida clareza. Mas, às vezes, coachees ficam aborrecidos com muitos detalhes acadêmicos.

b) já outros, talvez os mais jovens, gostam tanto de jogos que poderiam fazer um treinamento completo de agile utilizando jogos, deixando as pessoas encantadas. Isso pode fazer alguns coachees não levarem a coisa toda muito a sério.

4. Comprovado versus Inovador

a) Os coaches esperam que os conceitos sejam comprovados na comunidades e testados em outros projetos, antes de implanta-los, o que atrasa a implantação de técnicas benéficas.

b) Outros são tão inovadores que implementam as técnicas assim que alguém as cria, sem preparação, assumindo o risco da inovação.

5. Persuasivo versus Líder

a) Coaches persuasivos apelam para o pensamento lógico das pessoas, manipulando objeções de maneira lógica e cuidadosa, até que lhes deem uma chance, talvez fazendo o uso excessivo de concessões.

b) Já os líderes usam seu carisma para chegar à aprovação, pela sua força de vontade e energia empregados. Esta abordagem pode ser um tanto carente de explicações.

6. Intensivo versus Demorado

a) Coaches intensivos conseguem formar times ágeis em uma semana, passado para outro projeto na semana seguinte. Com isso, os times podem se sentir sozinhos, desviando um pouco do caminho.

b) Outra abordagem é trabalhar pequenas partes, treinando e acompanhando, participando de retrospectivas, apoiando o Scrum Master no seu desenvolvimento pessoal. Este processo leva mais tempo, reduzindo o número de projetos em que atua e reduzindo a transformação como um todo.

7. Planejador versus Reativo

a) Alguns coaches planejam sua intervenção, escrevendo um plano do processo de coaching, com ações específicas e metas definidas. Isto pode tornar o processo pouco flexível.

b) já alguns coaches preferem uma abordagem um pouco mais reativa e oportunista, vindo com a mente aberta e procurando pontos críticos que necessitam de intervenção urgente. Nesta forma de trabalho também pode faltar legibilidade.

8. Visível versus Invisível

a) Alguns coaches são muito visíveis, encarnando a transformação ágil, como um convidado especial do projeto, prevenindo a liderança de emergentes.

b) Já outros coaches são invisíveis, sussurrado nos ouvidos das pessoas, como um diretor de cinema. Mais uma vez, pode-se ter problemas de legibilidade.

A minha assinatura pessoal é 1b – 2a – 3b – 4b – 5a – 6b – 7b – 8b (levemente diferente da assinatura de Pierre). E você, pode me dizer qual a sua?

Particularmente acredito que, assim como podem existir outras características além destas, não existe melhor ou pior. O mais importante é que o coach deve decidir qual a abordagem mais adequada para o ambiente em que está sendo trabalhado, criando um plano personalizado para seu cliente, para a situação. Assim como as metodologias ágeis não fornecem um pacote de ações prontas para todas as realidades, os condutores do processo também não devem tratar o processo de mudança sem considerar a singularidade dos ambientes e das pessoas neles inseridas.

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Marcelo L. Barros

Olá! Sou um cara criativo, curioso e detalhista, que, cada dia, mais se vê interessado em desvendar os mistérios desse "bicho gente"! Comecei minha carreira profissional em 1996, sou formado em Processamento de Dados pela FATEC de Santos. Naquela época tudo o que eu queria ter na minha frente era um computador e uma desafiadora regra de negócio, que se transformaria no melhor programa possível. Mas as coisas mudam! Concluí que quem faz software com qualidade são as pessoas e não as máquinas. Hoje, minha MISSÃO é ajudar pessoas e times a alcançarem seus objetivos, pois acredito que o sucesso pessoal e profissional está ligado a três pilares: FELICIDADE, MOTIVAÇÃO e SENTIDO. Como faço isso? 💡 MOTIVANDO pessoas, fazendo-as enxergar o 💡 SENTIDO das suas ações, que traz 💡 FELICIDADE por fazerem a diferença em suas vidas, suas empresas. Sou formado em Coaching pelo ICC e escrevo artigos sobre Métodos Ágeis, Comportamento, Inovação e Coaching. Vejo no lúdico a forma mais profunda de aprendizado. Procuro sempre conduzir reuniões de forma criativa, que tragam algum tipo de aprendizado aos participantes, seja por meio de dinâmicas de grupo ou jogos em equipe. Neste quesito, desenvolvi um jogo, a "Feijoada Ágil", para ensinar conceitos sobre trabalho em equipe. Se você, como eu, também acredita que eu posso te ajudar, deixe-me saber! Vamos tomar um café e, quem sabe, juntos podemos MUDAR O MUNDO!

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